15/06/2008 Nelson Alves
Mundo do Hóquei: Regressas a Portugal,
para representar a Juventude de Viana, o clube da tua cidade-natal.
Quais são os teus objectivos, neste regresso a Portugal
e a Viana do Castelo?
Luís Viana: A decisão de voltar a Portugal
não foi só minha, foi também uma questão
familiar. Depois de três anos no estrangeiro, achámos
que era a altura ideal. A situação proporcionou-se,
e eu e a Juventude de Viana chegámos a um acordo há
pouco tempo. O meu objectivo é ajudar a Juventude de Viana
a vencer as competições em que vai participar no
próximo ano.
MH: Jogar em Viana do Castelo, muito perto
de casa, vai ajudar ainda mais a estar sempre motivado para vencer?
LV: Sim, sem dúvida. Jogar no teu primeiro clube,
e representar o clube da tua cidade, com certeza que te vai dar
uma motivação extra. Mas não será
só isso a ajudar. A equipa já tem excelentes jogadores,
já joguei com quase todos. Conheço bem os jogadores,
os dirigentes e as pessoas que tem o clube, e por isso, acho que
estão reunidas condições para se poderem
fazer coisas bonitas.
MH: No mesmo dia em que é oficializado
o teu acordo com a Juventude de Viana, foi revelado o teu regresso
à selecção nacional, depois de alguns anos
de fora…
LV: Sim, é verdade… e isso é sempre
um motivo de orgulho para qualquer um. O facto de regressar a
um clube português ajuda, pois não preciso de fazer
longas viagens para poder ir à selecção.
Irei representar a selecção nacional com todo o
orgulho, e vou com toda a vontade de ajudar Portugal.

Luis Viana marca ao
Liceo, na pré-época... em Viana do Castelo
(foto arquivo)
MH: Este último ano de Bassano correu
um bocado mal, em termos desportivos…
LV: Sim… neste último ano no Bassano, em
termos desportivos, tínhamos três objectivos, que
eram a Liga dos Campeões, a Supercoppa e o campeonato…
e ganhámos uma, a supercoppa. De qualquer forma, em termos
de campeonato, perdemos nas meias-finais dois jogos com o Viareggio.
Mas houve várias forças que nos impediram de chegar
à final, aparte das lesões que tivemos. Estávamos
a trabalhar bem, e o nosso objectivo era chegar à final,
mas perdemos.
O Bassano não fez a época que todos esperavam, e
no fim, desmoronou-se uma equipa que ainda é campeã
mundial em título. No final da época, saíram
seis ou sete jogadores que faziam parte da equipa que conquistou
aquele título, e em que eu me incluía.
A próxima temporada será o recomeçar de um
novo ciclo para o Bassano, desejo a maior sorte do mundo ao clube,
pois deixei lá muitos e bons amigos, fui sempre bem tratado.
Será sempre um clube do qual terei boas recordações.
MH: Quais são as principais diferenças
entre o hóquei em patins português e o hóquei
italiano?
LV: É um hóquei muito diferente. Lá
em Itália, a defesa é muito mais importante que
o ataque. O jogo torna-se muito mais táctico, fica mais
complicado para jogadores que gostem de ter um pouco mais de liberdade
para inventar ou fazer qualquer coisa diferente… Enquanto
em Portugal joga-se mais para o espectáculo, joga-se um
hóquei mais bonito. Por isso, acho que o hóquei
português será o hóquei certo para eu continuar
a jogar.
MH: Portanto em Itália, só
os melhores triunfam… A nova regra dos estrangeiros poderá
condicionar a escolha dos clubes italianos quando forem recrutar
jogadores a outros países?
LV: Sim pode. Já começava a ser notório
que as grandes equipas eram constituídas por muitos jogadores
estrangeiros, que impediam o surgimento de novos talentos italianos.
No entanto, na minha maneira de ver, está-se a trabalhar
mal a formação, e não vai por se proibir
a vinda de estrangeiros que se vai melhorar… Nota-se uma
grande diferença entre os jogadores estrangeiros e os italianos.
Na minha opinião, devia-se pensar primeiro em trabalhar
bem na formação, para haver bons talentos italianos.
Depois, sim, dificultar a vinda de estrangeiros, para poder dar
espaço a esses miúdos.
MH: Obrigado, Luís!
LV: De nada!